Jorge Kodama – Portal do Mercado Imobiliario

Quais são os principais riscos no leilão de imóveis (e como eles surgem)

Quando alguém descobre que é possível comprar um imóvel com desconto, o primeiro sentimento costuma ser interesse, porque a ideia de pagar menos por um bem de alto valor é naturalmente atrativa.

Mas esse interesse quase sempre vem acompanhado de uma dúvida que faz sentido: até que ponto isso é seguro?

E é justamente aqui que muitas pessoas começam errado, porque tentam entender se o leilão é arriscado antes mesmo de entender como esse mercado funciona de fato.

A verdade é que o risco não está exatamente onde a maioria imagina.

1 – O risco não está no leilão em si, mas na forma como ele é interpretado

É comum pensar que o leilão, por envolver imóveis com desconto, seja um ambiente mais arriscado por natureza, como se existisse algo escondido ou fora do padrão.

Mas, na prática, o leilão é apenas uma forma de venda utilizada por bancos e instituições para recuperar crédito, e segue regras bem definidas.

O que gera risco não é o modelo de venda, e sim a falta de entendimento sobre o que está sendo comprado, sobre as condições envolvidas e sobre o processo como um todo.

Quando alguém entra nesse mercado sem essa base, passa a tomar decisões olhando apenas para o preço, e é nesse momento que os problemas começam a surgir.

2 – Comprar olhando apenas para o preço é um dos erros mais comuns

Um dos comportamentos mais recorrentes de quem está começando é focar exclusivamente no desconto, acreditando que encontrar um imóvel muito abaixo do valor de mercado já é, por si só, um bom negócio.

O problema é que o preço não mostra a história completa daquele imóvel.

Ele não revela, por exemplo, se existem pendências jurídicas, se haverá custos adicionais relevantes, qual é o tempo necessário até conseguir utilizar ou vender o imóvel, ou até mesmo se aquele bem possui liquidez no mercado.

Na prática, o preço é apenas uma parte da análise, e quando ele é tratado como o único critério, a chance de tomar uma decisão equivocada aumenta consideravelmente.

3 – Ignorar o edital é assumir um risco que poderia ser evitado

Outro ponto que costuma gerar problemas é a falta de atenção ao edital, que é o documento mais importante dentro de um leilão.

Enquanto o anúncio do imóvel tem a função de chamar atenção e destacar o desconto, o edital é responsável por detalhar as regras do jogo, deixando claro quais são as responsabilidades do comprador, os prazos envolvidos, as condições de pagamento e possíveis encargos.

Quando esse documento é ignorado ou lido de forma superficial, a pessoa não está apenas deixando de se informar, mas assumindo riscos que poderiam ser totalmente evitados com uma análise mais cuidadosa.

Muitos dos problemas relatados por quem teve experiências negativas em leilão começam exatamente nesse ponto.

4 – Os custos não terminam na arrematação

Existe também uma percepção equivocada de que o valor do lance representa o custo total da compra, o que não corresponde à realidade.

Após a arrematação, entram outras despesas que fazem parte do processo imobiliário, como impostos, escritura, registro, certidões e, em alguns casos, custos jurídicos.

Esses valores não são exceção, são parte natural do processo, e precisam ser considerados desde o início para que a conta faça sentido.

Quando isso não é feito, o imóvel que parecia uma grande oportunidade pode acabar perdendo a viabilidade financeira.

5 – O tempo do processo também faz parte do risco

Outro aspecto pouco considerado por quem está começando é o tempo necessário até que o imóvel possa ser efetivamente utilizado ou vendido.

Nem todos os imóveis de leilão estão prontos para uso imediato, e alguns podem exigir etapas adicionais, como regularização documental, desocupação ou cumprimento de prazos legais.

Esse fator impacta diretamente o resultado, principalmente para quem pretende investir e precisa de retorno em um prazo mais curto.

Desconsiderar o tempo é, na prática, ignorar uma variável importante da operação.

6 – Entrar sem estratégia transforma oportunidade em incerteza

Além de todos esses pontos, existe um fator que não aparece nos anúncios, mas que influencia diretamente o resultado: a ausência de estratégia.

Quando a pessoa não define com clareza qual é o seu objetivo com aquele imóvel, qual é o limite de valor que está disposta a pagar e qual tipo de oportunidade faz sentido para o seu perfil, ela passa a decidir com base no momento, muitas vezes influenciada pela emoção.

E esse tipo de decisão tende a reduzir a margem de segurança da operação.

O maior risco não é perder dinheiro, é não perceber que fez um mau negócio

Existe um ponto que raramente é discutido com clareza.

O maior risco dentro do leilão não é, necessariamente, ter um prejuízo imediato, mas sim acreditar que fez um bom negócio quando, na verdade, assumiu uma operação pouco vantajosa.

Esse tipo de erro não é percebido na hora, mas aparece com o tempo, seja na dificuldade de revenda, na baixa rentabilidade ou nos custos que não foram considerados.

Todo investimento envolve algum nível de risco, e no leilão de imóveis isso não é diferente.

A diferença é que, nesse mercado, o risco não está escondido, ele está exposto nas informações disponíveis, nos documentos e no próprio contexto do imóvel.

O que define a segurança da operação não é a ausência de risco, mas a capacidade de entender e avaliar esses fatores antes de tomar uma decisão.

Quando esse entendimento existe, o leilão deixa de ser uma aposta e passa a ser uma escolha estratégica.


Jorge Kodama, especialista e autoridade em leilão de imóveis.

Especialista em imóveis adjudicados e leilão de imóveis, ajuda pessoas a comprar imóveis com grande desconto e a investir para multiplicar patrimônio.

Quem somos

Jorge Kodama é administrador de empresas e empreendedor do mercado imobiliário há quase uma década. Começou na incorporação imobiliária em 2017, tornou-se corretor de imóveis e, durante um aperfeiçoamento profissional, descobriu o nicho pouco explorado dos imóveis adjudicados e de leilão.

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